Liberte-se do seu esquerdismo. Liberte-se do seu petismo

É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês. São filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”- Roberto Campos


Em algum momento é necessário abandonar nosso esquerdismo. Em algum momento a lucidez nos obriga a matar nossos dogmas. O fim de toda utopia é o início de nossa era de aquário.


Em outra ocasião disse aqui que fomos desgovernados durante 13 anos, quatro meses e 12 dias por aquilo que foi descrito pela nossa elite “pensante” como o “governo de origem popular”. Na verdade foi apenas uma quadrilha que assaltava sindicatos e passou a assaltar um país. Muito simples. E como toda quadrilha desse naipe, a embalagem, óbvio, era a de redentora dos pobres e oprimidos, das causas sociais, do direito do negro poder frequentar uma faculdade, do filho da empregada poder andar de avião e de outros discursos rasteiros que não param em pé quando confrontados com a verdade. E foi aí que a gente se perdeu, no debate das ideias. É que uma parte da sociedade parece ter parado no tempo; tiveram suas consciências anestesiadas por uma retórica de Messias de botequim.


E o que parecia uma inocente retórica conseguiu dividir uma nação: o “nós” contra “eles”; o pobre contra o rico; o negro contra o branco; os héteros contra os gays e suas variantes; enfim, este discurso penetrou nas mais diversas camadas da sociedade (igrejas, escolas, universidades) e deu no que deu.


A coisa que de partido político virou quadrilha e que de quadrilha virou seita causou uma cisão entre os romeiros do lulopetismo e o resto. Os romeiros hoje são minoria, mas uma minoria desesperada, barulhenta, que no seu afã de justificar a roubalheira de seu mestre “confunde” roubo com assistência social.


Assim como o cantor Lobão eu tomei a decisão de me libertar do meu petismo também por volta de 2005. Outros ainda não se libertaram; mas há tempo. Aquela força de vontade em mim imbuída que tempos atrás ainda havia em discutir, em questionar, de tentar ter um diálogo racional com os que ainda professam a fé nisso que chamarei aqui de esquerdismo/lulopetsimo partiu sem deixar saudades. É que chega a um ponto em que através de argumentos tentar desmitificar, desconstruir uma mentira que há séculos é vendida como verdade absoluta se torna cansativo; é enfadonho, é inútil. É um fardo grande demais pra carregar. Então, libertar-se é preciso.


Durante algum tempo, era quase um crime alguém assumir não pertencer mais ao esquerdismo/lulopetismo; acreditar na culpa do Lula; assumir-se de direita. Este último então, uma infâmia!, afinal, a direita odeia o pobre e pobre não pode ser de direita. Tim Maia estava errado.


Essa falsa narrativa que se ensina nas escolas e nos cursos de Humanas, e que de lá pulou pras redes sociais, é o exemplo acabado do sequestro intelectual e moral que os formadores de opinião e os comunistas parasitas do estado fizeram com a sociedade brasileira.


Os que militam no esquerdismo/lulopetismo se vendem como guardiões de uma virtude que supostamente só eles detém: a de possuir o monopólio do bem. A eles pertencem o garantismo das causas nobres: o do direito dos gays, dos miseráveis, dos negros, das feministas, dos quilombolas, dos índios, das minorias, etc. etc. etc… mas não ouse confrontar esse discurso dos supostos redentores da benevolência social com números que mostram o milagre da multiplicação de pobres, de sem-terra, de sem-teto, de sem-emprego… nunca o faça, a não ser que você queira correr o risco de ser xingado daquela palavrinha mágica: fascista.


Estes ardorosos filhos de Marx, devotos de Fidel e Lula não acreditam que possam existir “pessoas de bem”, afinal, são eles a própria encarnação do “bem”; são os tais que militam contra o discurso de ódio (a não ser se você se declarar eleitor do Bolsonaro, claro). São verdadeiros democratas que enxergam democracia na Venezuela e Cuba e um golpe de estado no Brasil, em 2016. É a nata pura e fina da nossa elite cultural que adoram terceirizar nossas mazelas: a culpa sempre foi e sempre será dos norte-americanos, do Grande Capital, dos patrões, da burguesia. São os salvaguardas das causas dos pobres. São eles, com raríssimas exceções: chefes de sindicatos, líderes de supostos movimentos sociais, artistas da lei Rouanet, cantores de MPB septuagenários, atores Globais com residência em Paris, militantes do PSOL, teólogos da libertação, comunistas empregados no setor público, jornalistas que recebem verbas do estado, humoristas sem graça, professores universitários e estudantes destes professores. Com um timão desses na defesa de uma causa tão nobre está explicado porque no Brasil nos últimos anos foram produzidos 50 milhões de desvalidos.


O filósofo Luiz Felipe Pondé em um de seus ensaios disse que “a esquerda tem fetiche por pobre”. Eu vou além: esse povo na verdade odeia o pobre. Só um tipo de psicopata poderia desejar para o pobre um modelito ao estilo de Cuba ou Venezuela. Roberto Campos estava certo.


Enfim, essa gente bacanérrima tem uma visão muito paradoxal das coisas: enxergam movimentos sociais onde gente normal enxerga terrorismo; enxergam uma alma honesta em Lula onde só se vê um chefe de quadrilha; gente que tem em Dilma uma mulher honrada onde só existe uma farsa. Aliás, farsa foram os 13 anos em que a quadrilha se pendurou no poder; mas para os peregrinos que confundem comício com missa, ideologia vale mais que cifras; paixão vale mais que números.


Nelson Rodrigues disse que “a liberdade é mais importante que o pão”. É isso. Qualquer um que se liberte dos seus dogmas esquerdopatas fará um bem recíproco: estará libertando o lado oposto também de retóricas, explicações e discursos infindáveis que não levam a lugar nenhum, e com sorte preservará a amizade, artigo que tem custado caro nestes tempos de redes sociais. No mais, é preferível o silêncio a rebater pessoas que têm no juiz Sérgio Moro um agente da CIA; que chama por golpe impeachment. Poupará, inclusive, de tentar convencer que até o Vampirão é uma herança maldita do PT.

Na impossibilidade do silêncio, prefira a ironia, o sarcasmo, o bom humor. Estas sim são armas infalíveis para conversar com pessoas que em pleno século XXI tem a cabeça estacionada no século XIX.


Por Paulo Faria.

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